Advocacy e Pesquisa

Como foi a participação da Open Knowledge Brasil na COP30

18 dez de 2025, por OKBR

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A presença da Open Knowledge Brasil (OKBR) na COP30, representada pela diretora-executiva Haydée Svab e pelo coordenador de operações Yuri Vasquez, foi um marco na defesa de uma agenda climática baseada em dados abertos e que considere a nossa necessária soberania digital.

Casa do Jornalismo Socioambiental 

Com uma atuação estratégica e transversal, a Open Knowledge Brasil fez parte da rede formada por InfoAmazonia, #Colabora, Eco Nordeste, Amazônia Vox, Amazônia Real, ((o)) Eco, Agência Pública, que viabilizou a Casa do Jornalismo Socioambiental. Acolhida na Casa Carmina, um espaço cultural próximo à Praça da República no centro de Belém, a Casa foi um ambiente de oficinas, debates, lançamentos e outras atividades. A programação foi aberta ao público e conectou-se à agenda global da COP por meio dos Cafés com Observadores. 

Casa do Jornalismo Socioambiental

Na Casa do Jornalismo Socioambiental, a OKBR reforçou sua atuação no letramento e no ativismo digital, oferecendo três oficinas práticas focadas na utilização de dados abertos e no monitoramento e na investigação de questões ambientais na Amazônia.

Nessas atividades demonstramos o quanto a qualidade, a acessibilidade e a abertura de dados são pilares essenciais para o monitoramento eficaz da crise climática e para a promoção da transparência:

QGIS para investigar delitos ambientais
com Haydée Svab (OKBR) e Fábio Bispo (InfoAmazonia)
Objetivo: Apresentar aos participantes conceitos, fontes e práticas do geojornalismo, com foco em temas ambientais amazônicos, utilizando QGIS para explorar como dados geoespaciais podem apoiar investigações jornalísticas. Confira a apresentação.

Jornalismo de Dados: Usando o Open Data Editor para investigar a Amazônia
com Haydée Svab (OKBR) e Yuri Vasquez (OKBR)
Objetivo: O Open Data Editor (ODE) é uma ferramenta livre desenvolvida pela Open Knowledge Foundation que facilita o tratamento, a limpeza e a análise exploratória de bases de dados. Nesta oficina prática, apresentamos o passo a passo do ODE no contexto de investigações ambientais locais. Confira a apresentação.

Oficina sobre os Diários do Clima

Diários do Clima: Monitorando a política ambiental local a partir de dados de diários oficiais
com Haydée Svab (OKBR) e Yuri Vasquez (OKBR)
Objetivo: O Diários do Clima, projeto da Open Knowledge Brasil e coalizão, democratiza o acesso às publicações dos diários oficiais de prefeituras brasileiras, permitindo monitorar gastos, licitações, nomeações e outros atos administrativos. Nesta oficina prática mostramos as potencialidades da plataforma para investigações jornalísticas e advocacy de políticas socioambientais, bem como mapeamos demandas que podem nortear o futuro do projeto. Confira a apresentação.

 

A COP 30

Estivemos presentes na Zona Azul e na Zona Verde, em eventos oficiais da ONU e do governo brasileiro, bem como em eventos paralelos, em espaços como a Casa do Jornalismo Socioambiental, Central da COP, Amazon Climate Hub/Instituto Arayara, Pavilhão dos Cuidados, Casa das ONGs, Casa Preta Amazônia, Casa da Ciência, Casa da Cidade, entre outras. Focamos em acompanhar ativamente os debates centrais, em especial aqueles que abordam a interseção entre tecnologia, meio ambiente, clima, sociedade e o tema central da COP 30: financiamento.

Reunião na Casa Preta. Foto: Natália Carneiro

Destacamos também a participação da diretora executiva da OKBR, Haydée Svab, no painel “Governo aberto: integridade, transparência e participação social para o fortalecimento das políticas climáticas”, promovido pela Controladoria-Geral da União (CGU) no Pavilhão Brasil, Zona Verde e com moderação da Secretária Nacional de Transparência e Acesso à Informação da CGU, Livia Sobota. O painel teve a participação de ​Vinicius Marques de Carvalho, ministro de Estado da Controladoria-Geral da União (CGU), ​​Esther Dweck, ministra de Estado da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), ​​Guilherme Boulos, ministro de Estado Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. 

Composição do painel sobre governo aberto

O evento de lançamento da pesquisa “Quem paga as contas climáticas? Mulheres, emergências climáticas e justiça econômica” foi um dos destaques da programação paralela, reforçando o papel central das mulheres na crise climática e a necessidade urgente de justiça econômica. A pesquisa, capitaneada pela Hivos, contou com a atuação fundamental da Open Knowledge Brasil (OKBR) e da Rede Jandyras, trazendo dados e narrativas que evidenciam o impacto desproporcional da crise climática sobre famílias lideradas por mulheres. O lançamento aconteceu na Amazon Climate Hub e contou com a participação de figuras-chave e representantes de diversas organizações, consolidando um diálogo robusto entre governo, sociedade civil e movimentos sociais. A Ministra das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes, esteve presente, sublinhando o reconhecimento oficial da interconexão entre gênero, clima e economia.

Lançamento do estudo “Quem paga as contas climáticas? Mulheres, emergências climáticas e justiça econômica”


As ruas e os eventos paralelos

A participação da Open Knowledge Brasil (OKBR) na COP30 não se limitou aos debates oficiais; estendeu-se ativamente à mobilização e ao ativismo da sociedade civil. Como correalizadores da Casa do Jornalismo Socioambiental, contribuímos para a cobertura de um dos protestos indígenas contra o Marco Temporal, ocorrido na entrada da Blue Zone e recebido por um desproporcional aparato policial.

Entendendo que a crise climática é um tema de justiça e poder, a OKBR se uniu aos movimentos sociais em importantes atos de rua. Estivemos na Marcha dos Povos, participando da Parada Arte Ativista “Quem Paga as Contas Climáticas” para reforçar a pauta da pesquisa sobre mulheres e justiça econômica. Também nos engajamos na Marcha das Mulheres por Justiça Climática, que contou com a presença da ministra Sônia Guajajara, dando visibilidade à liderança feminina e exigindo soluções que combatam a desigualdade de gênero, e que terminou no Banquetaço oferecido pelo MST na Praça da República. 

Além das Zonas oficiais (Azul e Verde), a equipe da OKBR marcou presença em espaços de debate autônomos e de base. Participamos ativamente das Yellow Zones (Zonas Amarelas), que funcionam como pontos de encontro e de articulação para a sociedade civil, nos relembrando da potência que foram os Fóruns Sociais Mundiais no início dos anos 2000. Tivemos também engajamento na Cúpula dos Povos, o contraponto popular à conferência, onde as demandas dos povos indígenas e das comunidades tradicionais por justiça social e climática foram expostas e articuladas. 

Mapeamos e participamos das discussões sobre data centers e consumo energético, levantando a questão climática da infraestrutura digital, os impactos nas comunidades, a necessidade de regulação e transparência e o debate sobre quem controla os dados ambientais e tecnológicos cruciais para o futuro do país e da Amazônia. Dialogamos com lideranças, especialistas e organizações da sociedade civil, fortalecendo a rede de advocacy por mais transparência e participação na governança climática e digital.

Saímos da COP30 em Belém com o diagnóstico de que o combate à crise climática está intrinsecamente ligado à integridade informacional, o que depende da qualidade e da abertura da informação. A soberania digital vai muito além dos dados socioambientais e traz consigo o imbricamento entre tecnologia e meio ambiente que precisamos considerar a partir de agora, em nossas pautas, em nossos projetos e no nosso futuro. Pautas ditas transversais – como gênero e clima ou justiça e meio ambiente – precisam se entrelaçar e caminhar juntas para garantir que as decisões sejam democráticas, justas e eficazes. A OKBR segue comprometida na construção de um futuro em que o conhecimento aberto seja parte da transição ecológica e socialmente justa.