Parcerias e Serviços

Ciclo de formação realizado pela Escola de Dados busca fortalecer incidência política de jovens mulheres de Belém e do Rio de Janeiro

31 jul de 2026, por OKBR

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Curso online ocorreu com a participação de diferentes especialistas e abordou o uso e a produção de dados abertos e a cartografia social

 

Ao longo de junho e julho de 2026, a Escola de Dados, programa educacional da Open Knowledge Brasil, realizou o ciclo de formação “Dados para a transformação: advocacy e uso social de dados” com jovens mulheres de Belém e do Rio de Janeiro, participantes do projeto Futuros Feministas da Hivos. O ciclo teve como objetivo fortalecer as capacidades de incidência política dessas mulheres por meio do compartilhamento de saberes sobre o uso estratégico de dados abertos, a produção de dados próprios e a cartografia social. 

O curso foi realizado em parceria com Hivos, Mandí e Decodifica, e cada um dos seis encontros virtuais foi apresentado por uma especialista convidada diferente. 

“Desde de 2024, as Manas vêm construindo uma trajetória de incidência apoiada por formações que priorizam trocas de conhecimento, construção de ações colaborativas e o desenvolvimento de habilidades interpessoais e coletivas que sejam aplicáveis em seus territórios. A parceria com a Escola de Dados foi significativa por fortalecer capacidades e dar mais segurança e confiança para a construção de projetos em conjunto com os parceiros territoriais nas comunidades”, conta Allyne Maciel, gestora de projetos da Mandí. 

“Em um contexto de fortes desigualdades como temos no Brasil, é muito importante capacitar jovens lideranças de diferentes territórios em letramento de dados para que elas possam superar essa barreira técnica e utilizar essas informações, na prática, para confrontar os ‘silêncios estatísticos’ do Estado, fortalecer sua incidência política, garantir direitos e promover mudanças reais”, diz Celina Coelho, assessora pedagógica da Escola de Dados da Open Knowledge Brasil.

“O curso nos possibilitou conhecer novas ferramentas e estratégias para transformar essa caminhada em repertório para fortalecer narrativas construídas a partir dos territórios, ampliar a visibilidade de existências historicamente marginalizadas e qualificar o debate público ao evidenciar as lacunas dos dados oficiais, que muitas vezes não conseguem retratar a diversidade e a complexidade dos nossos territórios. Fico muito feliz também por ter participado de tantas reflexões socioambientais e políticas muito enriquecedoras trazidas pelas facilitadoras do curso”, relata Natasha Reis, assessora de Mobilização da Mandí.

Todas as aulas já estão disponíveis no canal da Escola de Dados no YouTube. Confira mais sobre elas abaixo.

 

Aula 1: Dados abertos e seu potencial para transformação social

Instrutora: Vitória Régia (Gênero e Número) 

A primeira aula focou em como transformar números oficiais em argumentos para exigir direitos no seu território.

Vitória Régia apresentou os dados abertos como um bem público e como uma ferramenta de fiscalização do Estado e ensinou como acessar informações sobre políticas públicas, transformando a transparência em um instrumento de controle social para exigir melhorias concretas nos bairros periféricos.

 

Aula 2: Uso de dados em pesquisa e incidência

Instrutora: Ana Carolina Araújo (Instituto AzMina)

Neste segundo encontro, discutimos como converter a vivência e os problemas do cotidiano em diagnósticos técnicos que “abrem portas”. 

O foco foi capacitar as participantes a usarem estatísticas e pesquisas para pautar a mídia e cobrar parlamentares, provando que o que vivemos na periferia não é opinião, é um fato que exige política pública. A aula mostrou como usar a pesquisa para sair do ‘ouvi dizer’ e ocupar espaços de decisão com autoridade.

 

Aula 3: Coleta ética e geração cidadã de dados

Instrutora: Samantha Reis (data_labe) 

A aula três do curso teve como tema central a soberania de dados: como as comunidades podem produzir suas próprias informações sobre saneamento, cultura ou violência, garantindo ética, proteção de dados pessoais e o direito de contar a sua própria história sem estereótipos.

Samantha compartilhou os passos para realizar a geração cidadã de dados, deu exemplos de pesquisas realizadas dessa forma e mostrou porque precisamos produzir nossos próprios indicadores para preencher os silêncios do Estado.

 

Aula 4: Incidência baseada em evidências

Instrutora: Maria Mello (Instituto Alana) 

No quarto encontro do ciclo de formação, explicamos sobre advocacy estratégico: o caminho entre ter um dado e obter a mudança desejada. 

Maria abordou formas de apresentar ideias para convencer prefeituras e órgãos públicos a adotar soluções que realmente funcionem, além de falar sobre como sentar na mesa de negociação e ser ouvida pelos tomadores de decisão, a partir das experiências de incidência do Instituto Alana no processo de aprovação do ECA Digital.

 

Aula 5: Análise de dados com perspectiva feminista e climática

Instrutora: Thaynah Gutierrez (Geledés) 

A quinta aula do curso trouxe uma análise com lente feminista para as enchentes e ondas de calor, evidenciando como esses fenômenos afetam principalmente mulheres, especialmente as negras e periféricas. 

Thaynah explicou como usar dados climáticos para a resistência, sob a perspectiva da justiça climática, e como os dados ajudam a lutar por proteção.

 

Aula 6: Cartografia social digital

Instrutora: Bianca Silva (Greenpeace)

Esta última aula mostrou que mapear é um ato de resistência ao usar ferramentas digitais para registrar o que o GPS oficial ignora: redes de afeto, pontos de cultura, áreas de risco e memórias comunitárias. 

Bianca demonstrou como colocar no mapa o que o Estado apaga e criar as próprias rotas de cuidado e de memória – fazendo do mapa uma ferramenta para esperançar um futuro para o território.